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O lugar que não é lá, nem cá

1 abril, 2012

"You better run for your life if you can, little girl"

Não dói tanto por saber que isso ia acontecer. Estava me fazendo mal, pé ferrado, gastrite apontando uma volta, dedo inflamado, e outras dores menos físicas. Conflitos internos aos montes. Por vezes não me reconhecia mais. Outras só queria aguentar, o quanto eu conseguisse, mas a que preço?

Minha saúde, as pessoas que eu amo, as coisas que eu amo fazer, eu mesma perdida no meio de tudo. Era um mar de dúvidas. Eu gostava do trabalho, gostava de quase todas as pessoas, me dava bem com quase todas as pessoas. Menos uma, menos a que seria crucial para a minha permanência lá. Escutava diversas vezes, você vai ser demitida, quando isso acontece a pessoa é demitida logo menos, começa assim, termina em demissão, e eu sem saber como agir. Sem saber como ser diferente do que eu sou. Tentei algumas alternativas, todas frustadas. Desisti, virei um zumbi, acordava obrigada por mim mesma, passava o dia contando os minutos para ir embora, me divertia com o que fosse possível, errei feio talvez. Me afundei no erro. Me diverti com o erro, vivi o erro, sinto falta do erro. Acabou.

Tomaram a decisão por mim, a fatídica, a decisão que eu estava protelando. Parte por aguentar mais, parte por medo, parte por não ver alternativas melhores.

Não queria passar por tudo isso de novo, oi me dá um emprego? Acredita em mim, me paga um salário para eu poder viver tudo que eu escolhi para mim mesma. Com toda minha prepotência, toda minha vontade de ser independente, tudo isso de querer ser algo que eu nem sei o que é.

Elas me dizem “foi melhor assim”, não, desculpa, mas não foi. Hoje não posso acreditar que isso foi o melhor. Melhor seria ser reconhecida, fazer um trabalho legal ganhando bem, melhor seria ganhar na mega sena. Ser demitida, agora, não foi melhor. Talvez amanhã eu acredite no melhor, talvez eu veja tudo com mais clareza e menos dor. Talvez eu solte rojões de felicidade, talvez eu consiga fazer tudo do jeito que eu acredito, talvez o melhor venha. Talvez não.

Tirei meu final-de-semana para chorar, ficar mal, e sentir pena de mim mesma. Eu sei que isso é ridículo. Só não é mais ridículo do que a pessoa esperar dar 19:15 de uma sexta-feira para me demitir. Custava me demitir 3h da tarde? Eu vinha para minha casa logo, começava a chorar logo, começava a me curar logo. Não, me fez esperar até o último segundo. Enfim, vindo de quem veio, nenhuma surpresa.

Agora eu voltei para o limbo, esse lugar que não é lá, nem cá. Flutuando no meio do mofo, preocupada por quanto tempo mais ficarei aqui, cansada demais para pensar nos planos A, B, C, D, E, F, tudo de novo… Lá no fundo tem uma voz, bem fraca, sussurrando, quase sem forças, “levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima”. Ainda to fingindo que eu não escuto ela. Só mais por hoje. Teoria dos 3 dias, é só o que me permito. Ainda tenho segunda para ficar de luto. Depois, levantar, pensar, planejar, agir, e principalmente me curar. Por enquanto estou queimando, a partir de amanhã começo a ressurgir das minhas próprias cinzas.

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4 Comentários leave one →
  1. Renata Dania permalink
    2 abril, 2012 7:22 pm

    vertendo lágrimas nas amigas! Estou aqui sempre, pro limbo, pras cinzas e, principalmente, pra ver sacudir a poeira e dar a volta por cima!

    • Laís de Souza permalink*
      2 abril, 2012 7:26 pm

      Ai amiga… Não é pra chorar não!!!! Se não eu choro mais ainda =(
      Obrigada por tudo amiga-sócia-parceira-irmã-siamesa! Mora pra sempre no meu coração!!!

  2. donamanda permalink
    3 abril, 2012 5:42 pm

    Eu sei que fui uma dessas a dizer que foi melhor assim.
    Mas pela simples teoria do Sir. Paul McCartney de ‘live and let die’, que tento colocar em prática todos os dias desde que saí da roda-vida corporativa.

    Porque desse jeito que a gente tava, você bem sabe, a gente recebe o do fim do mês como ‘obrigação’, e não com gratidão. E, como tudo na vida, tem que ter gratidão para valer a pena.

    Bem, eu não tava presente nesse fim de semana de luto mas tou aqui para ele ainda, se precisar, e especialmente para ajudar a renascer no que for preciso! Um beijo!

    • Laís de Souza permalink*
      4 abril, 2012 9:26 am

      Amanda, escrevi isso bem no meio do furacão. Hoje já começo a ver as coisas com mais clareza, cada dia que passo eu penso com mais força. “Graças, me livrei de uma”. É que desemprego não parece uma opção tão melhor assim, pelo menos por enquanto, hehehehe
      Ai linda, gosto tanto de vc!! Vc, minhas amigas, nossa, vcs me ajudam tanto! Nem imaginam!
      Obrigada por tudo!!!!

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